sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mal Secreto (Raimundo Correia)

Se a cólera que espuma, a dor que mora

N`alma e destrói cada ilusão que nasce,

Tudo o que punge, tudo o que devora

coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora

Ver através da máscara da face,

Quanta gente, talvez, que inveja agora

Nos causa, então piedade nos causasse;

Quanta gente que ri, talvez, consigo,

Guarda um atroz, recôndito inimigo,

Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,

Cuja ventura única consiste

Em parecer aos outros venturosa!

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